sábado, 20 de julho de 2013

Um olhar estrangeiro e o populismo messiânico!

Cansado de ler críticas somente de brasileiros, onde muitos acabam por polarizar os males políticos brasileiros entre os dois partidos protagonistas PT e PSDB, fui procurar análises entre nossos vizinhos sul americanos sem esse vício, e na leitura de um texto de um analista econômico peruano sobre as causas dos protestos aqui no Brasil,  me chamou atenção um comentário do blog que transcrevo a seguir, bem como sua tradução livre.

Profesor Parodi, realmente la situación de Brasil esta asi porque sus ultimos gobiernos se basaron en un populismo barato , en un reparto de dinero estatal facil, sin crear empleo ni mejorar los servicios basicos de infraestructura que necesitaba su poblacion. El regalo de los bienes publicos, aunado a una corrupcion generalizada los han llevado a una quiebra presupuestal y como el Pais no esta creciendo lo suficiente ahora se reparte pobreza. Ya Dilma Rousseff anuncio un recorte de gastos de 7000 millones de dolares para el proximo año. Como si fuera poco, la inflacion esta incontrolable en casi 7% y el Banco Central acaba de subir la tasa de interes a 8.5% , la segunda tasa mas alta del mundo.
Si a esto sumamos la corrupcion reinante en el Partido de los Trabajadores (socialista de Lula) la situacion se torna realmente critica y hoy Brasil es una bomba de tiempo. Esta politica populista , deberia ser la voz de alarma para el Gobierno de Humala, sobre todo ahora que se esta creciendo menos, que no hay inversion ni confianza empresarial, pero eso si bastante corrupcion y una leccion para todos nosotros porque un pueblo que elige corruptos no es victima ....sino complice !!!!!.



Professor Parodi, na verdade, a situação no Brasil está assim porque seus últimos governos foram baseadas em populismo barato, em uma divisão fácil do dinheiro do Estado, sem a criação de postos de trabalho ou a melhoria dos serviços de infra-estrutura básicas necessárias a sua população. A dádiva dos bens públicos, juntamente com a corrupção generalizada levaram à falência do orçamento e como o País não está crescendo o suficiente, agora distribui pobreza. Agora Dilma Rousseff anunciou um corte de custos de sete bilhões de dólares para o próximo ano. Para piorar a situação, a inflação é galopante em quase 7% e o Banco Central acabou de elevar a taxa de juros para 8,5%, a segunda taxa mais alta do mundo.
Se somarmos a corrupção que prevalece no Partido dos Trabalhadores (Socialista de Lula), a situação torna-se muito crítica, e hoje o Brasil é uma bomba relógio. Esta política populista, deveria ser o alarme para o governo de Humala, especialmente agora que ele está crescendo menos, que não há investimento nem confiança empresarial, mas há muita corrupção e uma lição para todos nós, porque um povo que elege corruptos não é vítima .... mas cúmplice!.


Achei muito interessante seu texto, muito por ser um olhar estrangeiro em que ele critica o populismo dos últimos governos brasileiros. Provavelmente sabe do que fala pois o populismo é uma praga latino americana. Em paralelo a sua visão sobre o Brasil e preocupado com a situação política peruana, acaba por nos revelar  um ponto de vista sobre os eleitores, peruanos e brasileiros, afirmando que um povo que elege corruptos não é vítima, e sim cúmplice! 
Podemos rebater essa culpa alegando desconhecimento ou ingenuidade na primeira vez que se elege uma quadrilha corrupta, mas não temos mais como fugir se os reelegemos duas vezes!!! Somos muito cúmplices!!!
Mesmo que como indivíduo não se tenha votado nos governos corruptos-populistas, todos somos parte do conjunto de eleitores, e nossos compatriotas somaram uma maioria que embarcou no discurso. Como povo, o brasileiro credenciou a corrupção e o populismo como um efeito colateral tolerável a fim de manter suas conquistas socio-econômicas. Se é deslumbramento, ingenuidade, conformismo ou cumplicidade, ou tudo junto, eu cada vez mais me convenço da nossa imensa imaturidade democrática. 
Não pretendo isentar ninguém, mas seria importante entender que grandes setores de nossa sociedade ainda devotam ao mito Lula uma aura de santidade. No fim, vale tudo, se fingir de cego, surdo e mudo frente aos escândalos infindáveis e ainda assim possuir uma popularidade carismática que lhe perdoa qualquer tipo de pecado. Vale tudo para vencer o mal, os tucanos "neoliberais", a mídia não comprometida com o projeto de poder, a resistência da classe média mais esclarecida (reacionários liberais) e qualquer outro inimigo, e para ser um inimigo da causa, basta não ser um companheiro (ou camarada) ou ser acusado por eles de ser "das elite".
É só lembrarmos que por muitos seguidores do lulismo, o Mensalão nada mais foi do que uma invenção das elites ou uma conspiração da oposição. Chegamos a ser chamados de estúpidos pelos militantes por reclamar do descaso com a educação e o sucateamento da saúde pública, pois qual era a responsabilidade do Lula? Nenhuma, pois tudo se deve a uma herança maldita do Fernando Henrique, e mesmo que o Lula governe por mais uma década, continuará a ser. A certeza da santidade de Lula era tanta que Marta Suplicy afirmou que Lula não era nada menos que um deus (minúsculo mesmo) durante a campanha para a prefeitura de São Paulo. "Nenhum pecado pode ser atribuído ao messias que veio nos governar para nos trazer todas as bênçãos que nos anunciou". Nem a profusão de escândalos durante seu governo, e agora durante o governo de sua marionete, era suficiente para detonar sua popularidade. Ou o povo estava sob hipnose coletiva ou aderiu a causa lulista mesmo sabendo de seus gigantes desvios de conduta. Houve de tudo, corrupção aos borbotões, descaso com meio ambiente, os sanguessugas da saúde, da educação, dos sindicatos, bancos e até os dossiês falsos (dos aloprados) para ajudar na idéia de que se todos estavam no mar de lama da corrupção, inclusive os adversários do PSDB, era melhor ficar com os ladrões amigos, que ajudam ao povo a garantir seu pedacinho de dignidade. Dignidade?!? Existe dignidade nisto, ser manobrado como um bando?
O velho ditado, "quem nunca comeu melado, quando come se lambuza", se aplica tanto a todos os tipos de deslumbrados, como também às novas elites populistas. Os primeiros por serem conformados com o pouco que lhes coube e terem medo de eleger outro modelo de governo que lhes tolha a capacidade de consumir bens e serviços. Os segundos por terem ido com tanta sede ao pote que acabaram se melando de forma tão grosseira que fizeram muitos dos deslumbrados, e até mesmo os ingênuos, a acordarem de seu encantamento conformista.
Aos que se sentem felizes por terem deixado a miséria para compor uma classe de cidadania, apenas digo que melhor seria que seguissem o conselho de Lula no New York Times, queiram sempre mais. Não se contentem com um papai malandro com cara de bonzinho que deixa uma mesada pra comprar pirulito, queiram muito mais!! 
Precisamos de políticos mais comprometidos com o desenvolvimento deste país, com o crescimento econômico e com o amadurecimento de nossas instituições republicanas. Precisamos de muito mais!!
O populismo é arcaico, se define por um líder carismático que acaba por perpetuar a estratégia romana de pão e circo, é oportunista e pensa no curto prazo, pois seus líderes precisam se dar bem a fim de garantir os recursos para se manterem no poder e também obter uma poupança para uma possível debandada. Depois de Getulio Vargas, um populista bem sucedido, considerado o pai dos pobres, muitos mantiveram esse discurso a fim de se colocarem à parte de qualquer estrato social.  Mas se antes o acesso a informação era mais difícil e controlado, e cair na falácia era provável, hoje a internet acelerou a disseminação das informações, e agora a falácia pode ser descortinada na velocidade das fotos e filmes dos celulares espalhados pelas ruas, escolas e hospitais. As denúncias são igualmente espalhadas pelas redes sociais, e mesmo contestadas, mostram realidades diferentes da propaganda. A parte de tudo isso, o populismo sobreviveu até o momento em que o inconformismo foi crescendo até eclodir no grito das ruas deste junho.
Mas ainda não vencemos o populismo, ele está presente no lulismo, vimos que no lulismo a figura de pai transcende para a de santo (=separado) protetor e como tal isento de pecados. Quem peca sempre é o partido 'dele', seus amigos, parentes, mas nunca ele. Vemos seus colaboradores mais íntimos assumindo a bronca para deixar o "santo" realmente separado de seus pecados. Uma heresia! Um modelo populista que parece ser ungido pelas massas que lhe conferiram uma carta branca para se apropriar dos bens do Estado para proveito próprio, como se estes estivessem no quintal das casas deles.
Não menos ruim, assistimos boa parte de nossos partidos políticos se venderem para conseguir benefícios junto ao poder vigente, o que demonstra o caráter populista aproveitador dos mesmos, pois jamais levaram em conta seu próprio conteúdo dogmático aderindo ao poder mesmo que tenham visões políticas antagônicas (quando as tem). Assim nossa realidade democrática possui de um lado, partidos de aluguel a disposição de qualquer líder carismático do momento e de outro, líderes carismáticos esperando sua oportunidade de surfar na onda do momento. Nossa política esteve a mercê de um populismo messiânico até o momento. E essa conta vai sair cara para restagarmos. Resta-nos saber se a maioria acordou do transe, e as vestes celestinas do lobo já não escondem mais seus pelos. Resta-nos rezar para que o basta estrondoso das ruas ecoe por tempo suficiente para evitar novas investidas destes, e dos demais, predadores a espreita.