segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O Ativista! (revisado 10/11/2014)

Depois de tudo lido e compreendido ficou a impressão de que temos um desafio muito maior do que a política poderia propor, afinal a mesma tratou de destruir tudo o que restava de fé e esperança ao ser humano. Ser um simples pai de família padrão e ter uma fé cristã já basta para se estar andando sobre uma linha fina entre ser um cidadão comum ou chegar a ser processado como um reles criminoso que merece a cadeia assim como um assassino psicopata. Tente apenas ensinar aos filhos que você prefere que eles se casem e formem um casal homem e mulher comum com um genro ou nora de outra família comum. Defenda a família como casal formado entre gênero homem e mulher. Caso você faça uma piada sobre gay, fatalmente será tachado de homofóbico, preconceituoso e intolerante. Não importa que tenha alguém próximo que seja gay e desfrute de seu respeito como pessoa, e mesmo tenha amizade sincera pois isso não o livrará deste purgatório. Provável que ninguém lhe pergunte se você apenas prefere que as escolhas de seus filhos sejam caretas, que você não deseja enfrentar essa mudança de paradigma, mas caso ocorra ficaria sinceramente decepcionado, mas jamais rejeitaria amor a respeito a uma filha ou filho, no caso dessa escolha homossexual. Não importa mais em que grau pessoal de aceitação ou rejeição esteja, não existe mais os tons de cinza, ou é branco ou é preto. É a dicotomia do ser ou não ser elevada ao grau máximo de pureza de pensamento politicamente correto. Em breve poderemos ter conhecimento de que um agente do governo visita residências repreendendo pais por não aceitar a opção homossexual como forma de educar. 

Isso, do ativismo e da ação do politicamente correto, independe da razão ou da intenção, não podemos mais expressar o que pensamos, mesmo que seja condenável, não temos o direito a ser confrontados, repreendidos e cairmos no ostracismo, é preciso criminalizar, trazer as raias da justiça como crime hediondo. Hoje em dia qualquer opinião conservadora é tratada não mais como "careta", não, já passamos desse estágio da pasteurização do pensamento, o careta agora virou crime. Se não foi ainda regulamentado pelo congresso, em breve será. Já querem definir em lei o que é e o que não é família. Ora, uma instituição milenar, que se auto regula desde sua origem, precisa agora de leis que a definam. Ou a humanidade perdeu seu sentido ou estamos de volta as nossas origens descartando tudo que aprendemos desde as cavernas.

Mesmo que seja veemente uma condenação de pensamentos, por exemplo, racistas, existe um grande equivoco em como isso foi implantado na sociedade. Não temos um pensamento de formar novos adultos que não vejam raça e credo como instrumentos de classificação social, mas sim acabamos por reforçar essa separação, por fazer com que sejam estigmatizadas todas as diferenças, devidamente classificadas como minorias com direitos humanitários, forçando a aceitação delas goela abaixo, como se essas minorias já não fossem a própria humanidade em si, com todas as suas imensas diferenças, sejam culturais, étnicas, religiosas, e por extremo, individuais. 

Do que falo? Que o caminho escolhido é o errado. Que o caminho que deveria ter sido escolhido é o de que antes de qualquer classificação que o ativismo do politicamente correto nos imponha, temos que considerar que todo e qualquer ser humano é um indivíduo e tem direito a suas escolhas. Se educarmos os indivíduos como tal, eles não fariam juízo sobre a "cor" de uma pessoa, mas sim por suas atitudes e opiniões, formadoras de seu caráter, esse independe de sua origem étnica. Esse, como baliza para se separar o joio do trigo, o caráter do indivíduo.

Como Olavo de Carvalho afirma, "A tática dos “movimentos sociais”, que inventam direitos inexistentes e os impõem a toda a sociedade antes mesmo de consagrá-los em lei, demonstra isso da maneira mais óbvia: mais vale o poder substantivo do que o poder oficial.", ou seja, o que foi conquistado pela política foram os corações e as mentes das pessoas, pelo menos em sua grande maioria. Temos pensamentos plantados por outros e deixamos nos levar pelo automático do senso comum ou do politicamente correto, nada a dizer sobre o que realmente pensamos sobre o assunto pois a patrulha social do senso comum, ou o comportamento de grupo (manada), nos coloca na cruz como delinquentes ou mesmo chegando a ser considerados criminosos espúrios, verdadeiros facínoras por pensar diferente.

Todos querem que você seja pasteurizado pelo pensamento comum, siga a ideologia de suas cartilhas e esbravejam quando não o faz. Isso apenas arranha uma verdade que percebi sob essa militância do senso comum, ela está impregnada de ideologias, e ideologias humanas, com uma imensa adesão de ativistas da palavra do homem, e isso não vai dar certo, nunca daria nesse estágio de desenvolvimento da nossa consciência, um estágio primário em que nos oferecemos a todo instante a ter ideias plantadas. Enquanto seguirmos mais a palavra do homem do que a palavra de Deus estaremos seguindo, cegamente, aos cegos que nos guiam.


Para ilustrar melhor o que seria uma ideia plantada, imagine uma garota na sua adolescência que confessasse a suas "amigas" que se sente atraída por homens calvos e até um pouco barrigudos... Seria tratada e rotulada de que maneira? Como uma herege do senso estético. Afinal temos programado até por bases "científicas" o padrão de beleza periguete-saradão saído das academias de ginástica. Nada contra, a estética é como a arte, e assim como mesma, se valoriza para mais ou  para menos conforme a procura. Esse é o sentido, "não tenho preconceito do seu gosto particular, desde que ele seja igual ao meu?".

Vejamos pelo lado oculto da escolha essencialmente pasteurizada pela estética mais valorizada. Quantos relacionamentos não seguem esse padrão periguete-saradão e são relacionamentos de sucesso, trazendo frutos e felicidade ao casal? Quantos casais desfrutam de uma vida de realizações pessoais mesmo não se encaixando no padrão estético de beleza escolhido pela maioria? Mesmo se fosse vice-versa, qual a razão que impõe essa estética como fator preponderante para a felicidade? Assim nossas escolhas não devem seguir padrões externos se os mesmos não se encaixarem na nossa essência. Não podemos nos deixar levar pela corrente como forma de buscar nossa auto realização.

Esse pequeno exemplo deve ajudar a perceber o quanto temos destas ideias do senso comum plantadas sobre nossas opções pessoais. Não sou contra nenhum padrão, acredito apenas que cada um possa ter o seu e não ser julgado por isso. Mas não devo fugir da ideia central que desejo propor para ser refletido, a de que não deveríamos ser ativistas de nada que seja contra a nossa individualidade, nosso livre pensar e nosso livre arbítrio. 

O ativismo foi brilhantemente criticado pelo atual Papa, Francisco I, que assim disse:
— Nenhum lobby é bom — declarou, e considera que "não se deve marginalizar pessoas que precisam ser integradas na sociedade". — O problema não é ter essa orientação. Devemos ser irmãos. O problema é fazer lobby por essa orientação, ou lobbies de pessoas invejosas, lobbies políticos, lobbies maçônicos, tantos lobbies. Esse é o pior problema. Se uma pessoa é gay e procura Deus e a boa vontade divina, quem sou eu para julgá-la?

Somos os únicos responsáveis pelas nossas escolhas e assim deve ser. O exemplo do ativismo gay é oportuno, pois a homossexualidade existe desde a muito tempo e nunca precisou deste ativismo atual, pois o problema não é a escolha do gay e sim a idéia plantada de homofobia ser um rótulo machão. Eu não acredito neste padrão, pois homem seguro de si não se preocupa com isso e sim em realizar as conquistas e objetivos já definidos em seu plano de vida hetero. Ponto. Essa intolerância plantada acaba por inflamar a cultura de ódio mutuo. Leis serão criadas, mas o principal não será resolvido, o sentimento não muda, apenas é regulado. Ora, uma sociedade deveria ser formada por pessoas que não cultivam sentimentos negativos pelos outros e sim por pessoas que tenham confiança em seus valores e crenças e respeitem os que não pactuam, se não como irmãos, como seus próximos. Defendam seus valores familiares sem deixar de respeitar os direitos fundamentais de seus próximos. Defendam sua cultura, desde que ela compreenda que existem valores que são comuns a todos o serres humanos.

Agora vamos tomar exemplos religiosos. Muitas das tragédias humanas feitas em nome de Deus, na verdade foram conceitos humanos que foram plantados nos fiéis das igrejas e templos, para que os verdadeiros interesses do homem fossem disfarçados como desígnios divinos, vontades divinas. Quanto sangue foi derramado em nome de deus? Esse minúsculo, pois não representaria o verdadeiro, acima das nuvens, e sim os lobos disfarçados de cordeiros, que vivem abaixo das nuvens. Os fiéis se tornam ativistas do homem, e não ativistas de Deus como imaginam. O ativismo acaba sempre em defesa de interesses medíocres, salvo raras exceções em que o homem reflete um valor divino, e aposto que nessas manifestações a audiência é bem menor. O diabo planta a semente da discórdia e ela prospera muito mais do que a semente da vida.

O ativista muitas vezes acaba adotando pensamentos e ideologias pré concebidas, defende-as com paixão e não raro, adora o embate, as vezes mesmo um embate físico ou um vandalismo gratuito. Tudo em nome do que lhe foi proposto, plantado como a grande causa de sua vida. O grande equivoco é esse. Qual é a verdadeira causa de sua existência, é a pergunta que não sabemos responder, pois isso nos foi tirado a fim de que estejamos disponíveis para abraçar as causas de ocasião, a causa do homem que deseja se impor ao próprio homem. Qual a sua causa? Qualquer que seja ela, mesmo que seja o sucesso material, um conhecimento cientifico novo, uma benfeitoria para a posteridade, um bem feito para a humanidade, ou mesmo encontrar o refúgio perfeito longe da cidade para se isolar deste mundo intragável sob está ótica social desagregadora.

Aposto que na grande maioria, as pessoas não devem ter uma causa recheada de ódio, de violência ou que contenha propósitos humilhantes ou de extermínio ou dominação de outros. Claro que temos muitos canalhas neste segmento de propósitos de dominação, e muitos vivem aqui no nosso país. Mas podem verificar que em muitos de nós, pessoas mais comuns e menos ideologizadas, as nossas causas pessoais, quando livres de pensamentos plantados, são livres de sentimentos inferiores. Agora pense sobre os ativismos mais numerosos da atualidade, alguns tão ignóbeis quanto a marcha da vadias, outros mais discretos no seu propósito pois pertencem ao senso comum, como o ativismo gay, este que quase proíbe o gay de ser apenas gay, ele tem que ser ativista... Será que não existe um abismo entre nossas causas particulares e estas "sociais"?

Quero me propor a fazer outro tipo de ativismo, aquele de defender a sua própria causa sem que isto inclua nada de senso comum, apenas valores elevados, distantes dos interesses mesquinhos, um ativismo que possa proporcionar liberdade, pensar próprio e se possível que inclua ao Cristo, com sua palavra "Amar a Deus sobre tudo e ao teu próximo como a ti mesmo". Pois minha crença é de que o criador nos quer incansáveis na busca de nossa própria evolução, que é individual, e a cada um a seu tempo. Mesmo que seja uma nação, pois que evolua de forma diversa e cada uma a seu tempo. Chegou a hora de tirar lições destas trevas vividas sob o manto da ideologia humana. Acredito muito que essa lavagem cerebral que nos foi imposta pela ideologia humana sórdida e pérfida do pensamento hegemônico nos ajude a prosperar nossa consciência e nos alerte sobre os males da ditadura cultural e filosófica que nos torna alienados e ateus. E mesmo que seja ateu, cuide para que não seja um ateu otário, sendo ativista das causas dos outros.

Assim estaremos muito mais próximos de realizar uma sociedade mais livre, menos intolerante e muito mais receptiva às diferenças do que o modelo atual de semear a discórdia para depois impor a aceitação forçada por lei. Tenho como imagem ideal de consciência livre uma frase atribuída a Morgan Freeman  — O dia em que pararmos de nos preocupar com consciência negra, amarela ou branca e nos preocuparmos com a consciência humana, o racismo desaparece.