segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A tempestade perfeita da eleição

Admiro o candidato Aecio Neves, como seu avô está destinado a habitar as principais páginas da história. A conjuntura eleitoral deste 2014 pode ser comparado à tempestade perfeita onde todos os fatores que podem contribuir para o fenômeno se fazem presentes criando uma tempestade de proporções gigantescas.
Aecio pode não ser o candidato ideal de muitos eleitores, mas está numa posição excepcional neste segundo turno por ter conseguido se promover como a melhor alternativa de mudança onde concorreu principalmente com Marina Silva, a quem ultrapassou numa arrancada de última hora. Sua condição invejável neste segundo turno se deve a pluralidade dos segmentos que aderiram a sua campanha após sua conquista. Considerado uma opção liberal por muitos esquerdistas radicais, ou sejam simplesmente cínicos mesmo, e conservador demais para os defensores de maior liberalismo econômico ou que defendem um Estado mais eficiente e menos intervencionista, Aecio conseguiu a proeza de unir essas diferentes visões políticas em seu apoio. Para explorar um pouco melhor a conjuntura de forças que estão formando esta tempestade perfeita temos alguns exemplos a expressar-se como forças antagônicas com propósito único de defenestrar essa quadrilha do poder central e periférico.
Muitos reacionários (O significado original, referente ao radical da palavra, indica que reacionário é todo aquele que reage) que estão indignados com os rumos bolivarianos que estamos perseguindo neste governo sob a batuta do Foro de SP (saiba mais aqui http://tinyurl.com/pu3tlks/), meu caso particular, são eleitores órfãos da direita clássica que deixou de existir quando o PFL se tornou DEM e aderiu ao pragmatismo vendido de apoio ao status quo, assim como o PMDB. Esses "reaças" (acho o termo muito pertinente) sem partido estão conseguindo cada vez mais simpatizantes às suas teses do que os esquerdopatas de plantão poderiam desejar. Quando ouvem um discurso de que o melhor programa social é um emprego, ou que onde o capitalismo deu certo, foram realizadas naturalmente as maiores distribuições de renda já registradas na história mundial, esses "donos da verdade" e "monopolistas da virtude" tem chiliques esquizofrênicos e começam a destilar todo seu fascismo doentio. Nada mais sintomático para demonstrar qual o sentido de democracia que possuem, participativa para todos só até o limite de seus interesses.
Reaças embalados na campanha de Aecio ao lado de militantes da esquerda tradicional é um fato marcante, e para aumentar o improvável, o candidato conseguiu até seccionar o PMDB governista, nos autorizando pressupor um possível governo tucano no Brasil a partir de 2015. Nada mais pragmático por parte de um partido como o PMDB de se dividir, para permanecer unido ao próximo governo, mas mesmo assim é um movimento que não deixa de somar votos na oposição, desgostando o governo.
Ainda mais quando estudamos o cenário partidário no seu espectro ideológico, percebemos que, com boa vontade, identificamos partidos que oscilam do centro para a esquerda radical. Assim somos um país capenga, sem oposição de verdade pois todos seriam apenas mais do mesmo. Nesta falta de oposição ao modelo petista, e com o estabelecimento de uma hegemonia socialista, também a partir de uma tempestade perfeita da esquerda, não houveram suficientes políticos com a coragem de se identificar com a direita, que acabou demonizada sem defesa. Culparam a tal direita de todos os males, e nossos pensadores liberais (de verdade) mais brilhantes faleceram. Ficamos assistindo a construção do pensamento único, o politicamente correto apoiado pela patrulha ideológica de setores importantes como imprensa e meio artístico cuidavam de qualquer Regina Duarte que ousasse sair da linha do trem, que saiu de Frankfurt e fez uma parada na Itália dentro da cela de Antonio Gramsci. Dentro dessa hegemonia, a arrogância dos vitoriosos os levou a um espólio tão nefasto do Estado, que em conjunto com o fracasso econômico e administrativo do governo atual, incapaz de solucionar as mazelas de setores básicos como transporte, saúde e educação, deu início ao movimento de reações espontâneas (mesmo que encabeçadas por movimentos cúmplices do governo) em junho de 2013 que permitiram o fortalecimento do pensamento reacionário (agora a direita que reage, finalmente).
Não podemos esquecer que recebendo todo este amplo leque de apoios, estão os tradicionais tucanos que se identificam com a esquerda da social democracia que originou o partido. Esse pensamento de esquerda um pouco menos radical é considerado uma aberração pela imensa maioria de militantes da esquerda socialista, sendo assim rotulados como uma direita, em seu espectro peculiar de ver o mundo.
Dentro desse posicionamento, seria imprevisível uma candidatura abraçar tanto seguidores da Rede e do PSB, muitos oriundos das fileiras petistas, do PPS e demais partidos que possuem seguidores um pouco menos stalinistas e ainda receber apoio de alguns pensadores de esquerda que já foram petistas de primeira hora. Acredito que muitos destes militantes da esquerda que hoje estão com Aecio, perceberam os erros cometidos pela ganancia desmedida, pela convicção da vitória e da hegemonia que seria liderada pelo PT, e na sua esteira estariam as "oposições" coniventes que hoje já não se contentam em ser coadjuvantes, e não formam mais fileiras nesse projeto de poder. Não podemos esquecer que democracia, para a esquerda do Foro de SP, é um meio para se chegar ao fim. A única lógica invertida deles é que o pensamento hegemônico agora chega antes do final totalitário pretendido pelo socialismo.
Vejo algumas dissonâncias entre esses conjuntos, mas entre os acordes fora do tom cordial, todos se unem em torno da ideia de libertação desse poder corrompido e pútrido. Além disso aderiram ao conjunto muitos daqueles que não acreditam nem em conspiração socialista, nem em liberalismo, mas sim no resgate simples da ética e da moralidade perdidas num mar de lama infinito. Claro que sabem que não existe cura imediata, nem garantias eternas, contudo pior do está só se houver convulsão social. São eleitores desconfiados de todos os tipos de promessas de um mundo melhor prometidos nas campanhas, mas resignados com o possível, dentre o imperfeito (talvez sejam os que mais representam o motivo da formação desta "tempestade"). São eleitores com o claro objetivo de alternar o poder vigente por serem contra o estado de irracionalismo que atingiu a corrupção e a mentira, e esses podem se situar em qualquer espectro ideológico. Enfim, dessa união de forças consonantes e dissonantes entre si, formou provavelmente a maior "tempestade perfeita" de caráter eleitoral já vista na nossa recente história desde 1989.
Podemos dizer que seriam ventos que sopram em direções opostas e acabariam por terminar num pequeno vendaval, mas resolveram soprar juntos para o mesmo lado e estão perto de conseguir derrubar a muralha do medo e do terror construída com a ajuda da cumplicidade bolsista de muitos incautos que não sabem nem onde fica a Venezuela, nem quem são jovens estudantes venezuelanos mortos pela "democracia" bolivariana.
Fica aqui apenas o registro de que estamos vivendo os estertores das trevas, tenhamos fé, pois a mentira grassa sob formas percentuais em institutos devidamente patrocinados. Peçam votos libertadores em cada momento de vossos dias, pois essa tempestade perfeita tem força para muito mais do que parece.

Que Deus abençoe a todos nós com os ventos da liberdade!